10 de maio de 2018

A Epidemiologista Dra. Nubia Muñoz, Cientista Emérita da IARC (International Agency for Research on Cancer), recebeu o Prêmio Fundación BBVA Fronteras del Conocimiento, pelo seu papel decisivo no estabelecimento de que o Vírus do Papiloma Humano (HPV) é a principal causa do Câncer do Colo Uterino.

É com grande satisfação que a equipe do Laboratório Adonis Carvalho recebe a notícia da honrosa premiação, cuja investigação inicial realizada pela Dra. Núbia Muñoz teve a participação do patologista Dr. Adonis Carvalho. Essa história pode ser conferida em artigo escrito pela epidemiologista: Muñoz N. From causality to prevention – The example of cervical cance: my personal contribution to this fascinating history. Public Health Genomics 2009.12 (5-6):368-37.

Em 1974, a convite de Dr. Adonis Carvalho, então Chefe-Fundador do Departamento de Patologia do Hospital de Câncer de Pernambuco, Dra. Núbia esteve em Recife (PE) por 4 meses, onde coletou e estudou a primeira amostra de prevalência, investigando, ainda, os fatores de risco. Posteriormente Dra. Muñoz ampliou seus estudos em grandes amostras populacionais em outros países. O papel de Adonis Carvalho é definido em texto escrito por ela em memoria a Adonis onde afirmou: “Graças a Adonis pude iniciar e concretizar todas essas investigações.” (Revista de Salud Pública do México vol 56. N° 5, Sept – Oct de 2014).

Da esq. p/ dir.: Dra. Núbia Muñoz e Dra. Maria do Carmo Abreu e Lima

Os estudos de Dr.a Núbia Muñoz foram fundamentais para o desenvolvimento da vacina que atualmente é capaz de prevenir 90% dos cânceres de colo uterino e também de outras neoplasias malignas relacionadas ao HPV como o carcinoma do ânus (80%) da vulva (40%) e alguns casos de câncer da boca e garganta.
Dra. Muñoz, nascida em Cali, Colômbia, desenvolveu seus estudos na IARC, OMS, em Lyon (França), onde a partir de 1986, liderou a Unidade de Estudos de Campo e Intervenção, dedicando sua vida a esclarecer o câncer de maior prevalência entre as mulheres latino-americanas, das quais nunca esqueceu.

“Tenho consciência que sou uma investigadora privilegiada. Muito poucos epidemiologistas veem em seu trabalho a prova definitiva que permite resolver um problema de saúde pública muito importante” – disse Muñoz ao receber a notícia do prêmio.